1
de
maio
Chocolates e Consultoria - (assunto não técnico)
Eu acabara de sair do aeroporto, chegando de mais uma viagem de trabalho. No semáforo, o táxi foi obrigado a parar, e teria que aguardar alguns segundos. Já era um pouco tarde, por volta de 23:40 hs.
Como todas as vezes que chego de viagem, meus pensamentos flutuavam, tramados a conjecturas e julgamentos sobre organizações, buscando sempre resposta sobre métodos mais eficientes e eficazes para empreender e conduzir meus trabalhos como consultor de empresas do segmento de limpeza.
As reflexões iam e vinham entre panoramas econômicos, modelos de gestão, sistemas operacionais, conveniências de negócios, concorrências, metodologias, artifícios, governo, globalização.
Nesses instantes a racionalidade só percebia números, expoentes, gráficos, resultado de lucratividade e pesquisas, e nada era mais importante do que rentabilidade, racionalização de mão de obra, desempenho e crescimento.
Como receber financiamentos, coordenar, controlar, gerir, organizar, planejar, criar? Porém, em meio aqueles poucos instantes aguardando o semáforo apontar a luz verde, uma figura fez minha cabeça girar para o lado, e graças a Deus não era um assaltante, mas um garotinho de seus sete ou oito anos que se aproximava. O vidro de meu lado estava erguido, com uma pequena abertura na parte superior.
Ele era um vendedor de chocolates e me ofereceu algumas barras; contudo eu quase que instintivamente fiz um gesto de negativa balançando a cabeça. Não queria chocolate. Não dei atenção às mãozinhas que seguravam sua mercadoria, quase que suplicando para que eu comprasse!!!
O semáforo apontou o verde e fomos em frente, mas como num acontecimento sobrenatural de dissociação, meu íntimo ficou naquele semáforo, e minha “luta” com os pensamentos anteriores foi ficando maior.
Meus pensamentos, agora desconexos, se desligaram no ar das idéias sobre lucratividade e produtividade e desabaram esmigalhando-se.
Aquele garoto não teve nenhum contato comigo, nem com a ponta dos dedos, mas a imagem, de um menino que vendia chocolates numa hora daquelas, naquela idade, sozinho num semáforo, fez questão de transpor minhas reflexões, para brigar com idéias bonitas e convencionais que teimavam em negar sua existência.
Osmar Viviani - consultor@consulimp.net


Comentário por Helena Cursino — 5 de julho de 2009 (21:28)
Se bem o conheço, já o vejo com o pensamento no menino do farol, rodopiando sua mente como borboleta ao redor da luz. Assim imagino que nesse bondoso coração surgiu nesse instante uma vibração de amor paterno que palavras não poderiam explicar. Parabéns, mais uma vez fica nessa narrativa, a demonstração de que ainda existem mais pessoas boas que ruins, ainda que não tenha efetuado a compra do chocolate, ajudou em muito o garoto com a sensibilidade dos sentimentos e pensamentos a êle dirigidos.
Você foi meu mestre de Contabilidade por um curto período, mas durante todos esses anos, não deixou de ser um grande mestre da arte de viver com sabedoria. Continue assim, Deus está contigo te abençoando e iluminado sempre.