19
de
março
“Alcunhas” dos “apelidos” dos cargos
Observamos que as denominações dadas às funções são em virtude do prisma “científico e automático” do trabalho, e não para o enfoque “arte” do mesmo.
Desta forma, encontramos diretores: médico, industrial e de marketing; gerentes: de banco, financeiro, de produção, de vendas, operacional; chefes: de equipes e de setores; supervisores, e outros.
Percebemos que nas designações mencionadas, a única que não está conduzindo e indicando o “lado científico” (a atividade a ser realizada) é a do supervisor, porque as demais propagam e registram o departamento (coisa) ou atividade e tarefa (coisa) a ser executada, e nunca o “lado humano” do trabalho; e mesmo nesta exceção o que se salienta é que, quando o aspecto humano (arte) é resgistrado, o que se quer na verdade é fiscalização.
Fazendo um parenteses, para analisar melhor o significado da palavra “supervisor”, realço ser este o único exemplo que conheço de qualificação de uma função que, aparentemente, não está voltada para o aspecto automático (mecânico) do trabalho.
O que significa a palavra supervisor? Antigamente, muitas empresas utilizavam os termos inspetor ou fiscal, que significa ser “aquele de vistoria, fiscaliza e inspeciona”, e atualmente adotam o termo supervisor.
Mudaram de inspetor para supervisor, mas basicamente, o significado é o mesmo, pois supervisionar e inspecionar são quase sinônimos perfeitos, portanto mudamos o nome, mas não o objetivo. Segundo o Aurélio, significa: “dirigir, orientar, inspecionar em plano superior”, e isto pode até ser real, pois nas indústrias, o supervisor é instalado fisicamente em uma posição elevada, para poder ver deste plano superior o que está sendo executado nas linhas de produção abaixo.
A partir deste entendimento, pergunto: é exatamente este procedimento, o de um supervisor operacional? Ele se instala em um plano superior e fica vendo o que e como o colaborador executa?
Evidente que não, pois se adotar esta postura, algo de muito importante estará deixando de ser executado, porque a tendência desse posicionamento não será trabalhar junto ou trabalhar com, mas trabalhar para, ou seja, o colaborador estará trabalhando para o supervisor e não, como seria o desejável e correto, com ele.
O que as empresas esperam dos supervisores operacionais do segmento de limpeza, não é que fiquem olhando de cima, mas treinando e desenvolvendo a capacidade dos colaboradores para que consigam melhores resultados. Errada e infelizmente fomos buscar na indústria essa designação e a aplicamos em empresas de serviços de limpeza, sem a devida formatação muitas vezes.
Os gerentes de departamentos atuais, teriam a mesma visão e compreensão de seu trabalho se fossem chamados de gerentes de colaboradores?
Claro que não seria a mesma coisa, pois estariam mais voltados para o aspecto realmente importante de seu trabalho de liderar colaboradores, (particularmente prefiro edificar pessoas) do que para o lado “cuidar dos resultados”, ficando os colaboradores em um plano secundário, como ocorre hoje, até porque temos que aprender e entender, definitivamente, que estes resultados são sempre pela competência dos colaboradores e não das coisas.
Quando ouvimos que os colaboradores são o grande patrimônio das organizações, achamos super válido. Contudo este conceito “patrimonial” começa a ser lançado por terra neste exato momento em que chamamos as chefias por designações que demonstram exatamente o contrário, ou seja, estamos mostrando às pessoas que o importante é a atividade (vendas, compras, finanças e outras) e não os colaboradores (vendedores, compradores, auxiliares).
Ora, chefes de coisas?
Até quando?
Osmar Viviani

